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A história da conga - Parte V

Texto de Nolan Warden
Tradução de Juliana Bastos

1950 ao Presente

As tumbadoras e a música latina em geral ganharam popularidade durante a década de 1950. Nos Estados Unidos, um mambo "craze" varreu o país e atingiu o seu apogeu com a chegada do cha-cha-cha (*). Entretanto, um importante desenvolvimento musical das tumbadoras estava tomando lugar em Cuba.


Em 1952, o grupo folclórico de rumba chamado Guaguanco Matancero gravado um hit chamado "Los Muñequitos" (**). Isto foi significativo não só para o desenvolvimento musical das tumbadoras, mas também para o crescente apoio popular à música folclórica afro-cubana. Finalmente, após anos de ser aplicada em outros estilos musicais, as tumbadoras foram ganhando sucesso com o estilo musical que as criou. Este recém-descoberto apoio à música folclórica afro-cubana também fez o seu caminho para os Estados Unidos, ajudando a estabelecer muitos percussionistas.


Um deles, Ramón "Mongo" Santamaria, fez sua estréia como um líder de banda em 1958, com um álbum de música folclórica afro-cubana chamado Yambu. Apesar de outros tocadores de tumbadora também terem sido líderes de banda anteriormente (por exemplo, Miguelito Valdés e Chano Pozo), Santamaria foi o primeiro a alcançar sucesso a longo prazo. Algumas de suas canções, como "Afro-Blue", tornaram-se padrões, e sua gravação de "Watermelon Man", de Herbie Hancock, foi um tremendo sucesso. Santamaria levou as tumbadoras a outros estilos populares de música, como o R & B. Este atravessar foi apenas um dos muitos sucessos da presença das tumbadoras na cultura musical estadunidense.


É interessante que as tumbadoras, enquanto seu patrimônio era relativamente desconhecido, foram adotadas tão detalhadamente em outras culturas. No início da década de 1950, poetas de Nova York "oriundos da classe média" passaram a pegar um bongô ou tumbadora para acompanhar os seus trabalhos, mas a integração vai mais longe. O Rock começou a utilizar tumbadoras freqüentemente durante a década de 1960, proporcionando um reconhecimento nacional mais amplo dos tambores. Tumbadoras foram utilizadas por várias bandas em Woodstock (mais notavelmente Santana) e eram comumente vistas em performances televisivas. No entanto, estilos musicais populares não foram os únicos a adicionar os sons das tumbadoras. [Foto: Mongo Santamaria. BMI Archives].


Orquestras e bandas musicais têm também feito uso de tumbadoras. Desde a década de 1920 em Cuba, compositores classicamente treinados foram acrescentando percussão orquestral afro-cubana às suas peças.


Fora de Cuba, autênticos ritmos e instrumentos foram inseridos lentamente no reino da música clássica, mas recentemente tiveram mais impacto. Um exemplo significativo disso é um trabalho recente de Osvaldo Golijov intitulado “La Pasion Según San Marcos”. Uma paixão coral na tradição de Bach, assombra audiências integrando com sucesso instrumentos e ritmos afro-cubanos, venezuelanos e brasileiros.


Na sala de aula, o impulso para uma educação "multicultural" levou à adoção de tumbadoras como um instrumento “topa-tudo”. Sendo amplamente disponíveis e relativamente baratas para produção em massa, as tumbadoras tornaram-se quase um equipamento padrão para as bandas escolares estadunidenses. Essa presença levou, ainda, algumas escolas a desenvolver programas de estudo que envolvessem tumbadoras no currículo.


Reconhecendo a importância e popularidade da percussão tocada com as mãos, a Berklee College of Music, em Boston, se tornou a primeira instituição a permitir que os estudantes tivessem a tumbadora como instrumento principal (em adição a outros instrumentos de percussão tocados com as mãos). É também provavelmente a primeira escola de música a incorporar as tumbadoras no currículo. Isso começou no final da década de 1970 com Pablo Landrum ensinando e, em meados da década de 1980, com Joe Galeota ensinando numa classe denominada "Latin Percussion. "No final desta década, Ed Uribe desenvolveu o currículo oficial de percussão tocada com as mãos, o que permitiria aos alunos se graduarem nessa modalidade. Outros instrutores, tais como Carmelo Garcia em 1990, foram contratados para ajudar Uribe com o funcionamento deste novo programa.


Um ano mais tarde, a Berklee contratou Giovanni Hidalgo, um mundialmente famoso tocador de tumbadora que revolucionou conceitos de técnica de velocidade no instrumento. A presença de Hidalgo no departamento ajudou a espalhar a notícia sobre o programa, trazendo estudantes de todo o mundo (***). Embora Berklee continue a ser o único colégio estadunidense onde alguém pode se graduar em percussão tocada com as mãos, a importância de preparar estudantes em todos os estilos da música levou muitos departamentos de percussão a adicionar as tumbadoras em seu currículo.


A América do Norte não foi o único lugar a aceitar e aplicar as tumbadoras à sua própria música. Na verdade, pode-se afirmar que a África seja o lugar que tem integrado tumbadoras em sua música com o maior zelo possível. A música cubana ganhou tremenda popularidade africana em países como o Mali, Senegal, Camarões, Congo e, gerando estilos como a Rumba Africana e o Soukous. Na verdade, alguns dos maiores astros africanos da atualidade, como Youssou N'Dour e Baaba Maal, tiveram seu início tocando música cubana para o público africano (****). Agora, mesmo em estilos populares africanos não baseados na música cubana, as tumbadoras podem ser encontradas com certa regularidade.



Hoje, as tumbadoras são tão amplamente disponíveis, que, muitas vezes, substituem os tambores que nasceram com ela - o bembé, Makuta e Yuka. Mesmo fora de Cuba, eles têm encontrado lugar na música e nas instituições de quase todos os cantos do globo. Como tal, eles também têm sido reconhecidos, sentados nos armários de percussão dos departamentos e sendo utilizados como tambores étnicos "topa-tudo". [Foto: Giovanni Hidalgo. Foto de Martin Cohen, cortesia de LP/conghead.com]

Espero que este artigo tenha começado a abordar o problema dando ao leitor uma compreensão e apreciação mais profunda desses instrumentos culturalmente fascinantes, ainda que solenes.


BIBLIOGRAFIA


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Nolan Warden graduou-se em Magna Cum Laude na Berklee College of Music com uma dupla habilitaçaõ em Hand Percussion Performance and Music Business. Antes de Berklee, Nolan estudou percussão orquestral na Indiana University School of Music. Ele foi a Cuba duas vezes para estudar e documentar a percussão folclórica afro-cubana. Atualmente, ele é etnomusicólogo graduado pela Tufts University, ensina e toca na área de Boston.


(*) Cha-cha-cha é o nome completo para o estilo por vezes referidas nos Estados Unidos apenas como "Cha-cha".
(**) A popularidade desse som mais tarde levou o grupo a mudar seu nome para Los Muñequitos de Matanzas. O grupo ainda existse hoje sobre o nome que é considerado por muitos como o último grupo de Rumba Cubana.
(***) Datas específicas dizem que o programa de percussão tocada com as mãos da Berklee surgiu da comunicação entre Mikael Ringquist (atual coordenador do programa), Ed Uribe, Joe Galeota, e Dean Anderson (chefe do departamento de percussão).
(****) Sue Steward, ¡Musica! London: Thames & Hudson, 1999.

A história da conga - Parte IV

Texto de Nolan Warden
Tradução de Juliana Bastos


Popularização

Por um longo tempo durante o seu desenvolvimento, em torno do início do séc. XX, as tumbadoras não foram bem recebidas ou aceitas pela corrente principal da sociedade cubana. Eles estavam em uma classe de instrumentos musicais considerada inferior devido à sua intrínseca ligação com os solares. Felizmente, isso começou a mudar com a ajuda de alguns corajosos músicos, o crescimento da indústria da música, e o abrir de ouvidos e mentes dos ouvintes.


No final da década de 1930 e início da de 1940, as tumbadoras começaram a encontrar um lugar na música popular cubana. A pessoa que normalmente é creditada com plena incorporação na música popular é Arsenio Rodríguez. Um famoso músico, compositor, e líder de banda, Rodríguez tinha orgulho de sua herança africana. Em 1940, quando ele começou a padronizar a instrumentação de um conjunto, ele tinha o seu irmão, Israel Rodríguez, tocando tumbadora. Outro grupo popular da época, o Arcaño y sus Maravillas, pediu a Israel para que ele se sentasse com sua banda e ensinasse seus percussionistas a tocar tumbadora (*).
[Foto: Desi Arnáz tem algumas explançaões a fazer sobre essa técnica! BMI Archives]

Estes conjuntos revolucionaram o som da música cubana e se tornaram sucesso em casa e nos Estados Unidos.Em Nova Iorque, uma big-band popular chamada Machito and His Afro-Cubans foi a primeira a introduzir uma tumbadora de maneira consistente. Isto ocorreu por volta de 1943 com Carlos Vidal, entre outros, tocando tumbadora. Congas atuais já haviam sido vistas e ouvidas nos Estados Unidos antes, mas figuraram principalmente como novidade.

O primeiro líder de banda que tocou realativamente música cubana autêntica nos Estdos Unidos foi Don Azpiazú em 1930. No decorrer dessa década, sua banda viajou pelo país, tornando-se famosa com sucessos como o "La Conga" (**). Esta canção foi provavelmente o primeiro momento em que se viu o ritmo la conga ser tocado em solo estadunidense, mas não fica claro se congas reais foram incorporadas ou não.

Mais tarde, Desi Arnáz (de I Love Lucy) alegou que ele foi o primeiro a introduzir a conga nos Estados Unidos. Não está claro, porém, se ele estava falando da dança, do tambor, ou ambos. De qualquer maneira, é difícil considerar seriamente esta alegação porque a autenticidade de Arnáz é questionável, para dizer ao menos. Sua aplicação comercial e exploração dos estilos de carnaval em atabaques nos musicais da Broadway e, mais tarde, na televisão, é a razão pela qual ele não é respeitado pelos conhecedores dessa cultura.

Em qualquer caso, o líder de banda Machito (Frank Grillo) é creditado como sendo o primeiro artista estadunidense a usar uma verdadeira tumbadora, no sentido em que não estava ligado com o ritmo la conga. O diretor musical de Machito (que era também seu cunhado), Mario Bauza, também teve um grande impacto sobre a emparelhamento mais famoso dos ritmos afro-cubanos com o jazz.

Em 1947, Dizzy Gillespie contactou Bauza para encontrar alguém que tocasse o que Dizzy chamava de "tom-tons." Bauza dirigiu-o a um recém-chegado na cidade, Chano Pozo. Chano foi um famoso percussionista e compositor de Havana que veio a Nova York depois de perceber que suas composições eram populares entre os grupos, tais como Machito's Afro-Cubans.

A fusão de ritmos cubanos “dançáveis” e jazz norte-ameircanos “não-dançáveis” criou tensão num primeiro momento. Alguns percussionistas de Dizzy queixaram-se da situação, dizendo que o jazz não era lugar para tais " tambores da selva."
[Foto: Chano Pozo. BMI Archives]

Mas o novo som de "Cubop", mais tarde conhecida como "Latin Jazz", foi um sucesso entre o público. "Manteca", uma das composições mais famosas de Pozo, tornada popular por Gillespie, é agora é um padrão entre os músicos cubanos e músicos do jazz. Pozo é lendário entre os percussionistas de hoje. Ele era um poderoso executante cujo estilo de vida rude através dos tempos o levou à sua trágica morte em 1948.

É importante notar que, durante este período, a maioria dos artistas estavam usando tumbadora apenas uma de cada vez. Esta foi a norma, uma vez que também a música folclórica utilizava apenas um homem por tambor. O músico geralmente creditado por ser o primeiro a utilizar mais de um tambor é Candido Camero (normalmente chamado apenas por seu primeiro nome). Candido chegou nos Estados Unidos em 1946, tocando percussão para uma companhia de dança. Nessa época ele estava tocando bongô e quinto ao mesmo tempo, e, mais tarde, em 1952, ele começou a utilizar regularmente duas tumbadoras. Ele também considera-se a primeira pessoa a utilizar três tumbadoras simultaneamente. Isto instaurou um aumento do nível de profissionalismo e um maior grau de coordenação para tocar estes instrumentos.



(*) Liner notas, Cuba: I Am Time, CD, Azul Jackel, 1997.
(**) John Storm Roberts, The Latin tinge: O Impacto de Música Latino-Americana sobre os Estados Unidos Membros. 1979; Nova Iorque: Oxford UP, 1999.

A história da conga - Parte III

Texto de Nolan Warder
Tradução de Juliana Bastos

Lucumí

Os tambores do povo banto provavelmente exerceram a maior influência sobre as tumbadoras, mas eles não estavam sozinhos. O segundo maior grupo de afro-cubanos, cuja bateria também teve um impacto sobre o desenvolvimento das tumbadoras, foi o Lucumí.

A palavra Lucumí (loo-koo-mee) é usada em Cuba para se referir aos descendentes Yorubas do povo da Nigéria. Os tambores Yorubás batá, e as cerimônias Santería onde eles são tocados são comumente considerados o mais reconhecido símbolo da cultura afro-cubana. Tambores Batá têm uma estrita liturgia para este dia e foram historicamente tocados em cerimônias fechadas e secretas. Contudo, houve (e ainda há) um tambor Lucumí “menos sagrado” chamado bembé, que provavelmente também influenciou as tumbadoras.

Apesar de semelhante à música e à religião batá, as cerimônias do bembé não eram necessariamente fechadas para os não iniciados. Elas aconteciam numa atmosfera mais festiva e, como as festividades Yuka, podiam ser frequentadas por qualque um dos solares.

A construção de tambores bembé variava, mas muitos tipos eram quase idênticos às tumbadoras. De fato, a construção que Ortiz considerou como a mais comum para os tambores bembé é exatamente como a das primeiras tumbadoras, só que ligeiramente menor. Este fato é muitas vezes esquecido quando se considera as origens da tumbadora. [Foto: desenho de um tambor Makuta relativamente moderno por Fernando Ortiz.Sucesores de Fernando Ortiz].


Rumba

O desenvolvimento da rumba é inseparável do das tumbadoras. Foi a primeira música a fazer uso dos tambores especificamente chamados de tumbadoras e, eventualmente, levou sua utilização a figurar como um instrumento popular e sério. A Rumba é ainda popular e hoje é tocada por grupos como Los Muñequitos de Matanzas, o Grupo AfroCuba, o Conjunto Clave y Guaguanco, e muitos outros, incluindo os grupos estadunidenses.
É interessante notar também que, antes de a palavra rumba se tornar padronizada, outras palavras, como a tumba, tambo, e macumba foram utilizadas para se referir a esses encontros musicais. É possível, embora impossível de verificar, que o nome tumbadora foi simplesmente aplicada ao tambores que eram tocados durante uma tumba. [Foto: Tambores Yuka sendo tocados.CIDMUC, Havana](*)



Construção e modernização

A primeira, e mais importante, mudança na construção do tambor afro-cubano que levou ao desenvolvimento da tumbadora foi a utilização da construção de aduela, semelhante à forma pela qual os barris são feitos. Esta mudança, de acordo com Ortiz, foi uma adaptação para distinguir esses tambores de seus homólogos africanos.

Durante a colonização espanhola em Cuba (e durante os anos de ocupação militar estadunidense em Cuba, de 1898 a 1902) os tambores africanos foram proibidos. No entanto, uma vez que estes tambores já não eram esculpidas a partir de uma única peça de madeira, eles não eram mais considerados completamente africanos. Essa mudança foi um ato de sobrevivência que permitiu aos negros a continuidade de reprodução destes tambores com menos perseguição. Os tambores mantiveram, no entanto, a sua forma, seu som e seu método de afinação africanos.

O mecanismo de afinação das tumbadoras de hoje são um desenvolvimento relativamente moderno. Tal como os seus antecessores, os tambores Yuka, Makuta e bembé, as membranas das primeiras congas e tumbadoras (normalmente de mula ou de vaca) foram anexados ao corpo do tambor por tachas. A fim de aumentar a altura, um tocador iria segurar um fogo perto da membrana do tímpano para retirar a humidade nela retida.

Os tambores com esse sistema de afinação se generalizaram em meados da década de 1950, assim como os materiais se tornaram mais acessíveis e como os executantes tornaram-se menos pacientes o tempo necessário para afinar com uma chama. Carlos "Patato" Valdez afirmou que ele introduziu esse sistema nas tumbadoras (**). Esta é uma grande reivindicação e, apesar da importância de Patato para a história das tumbadoras, isto é altamente improvável. Armando Peraza provavelmente tenha chegado mais perto da verdade quando ele declarou em uma entrevista que esta evolução teve lugar em Cuba por uma pessoa denominada Vergara (***). A questão é não colocar um intervalo, no entanto, uma vez que Candido Camero afirmou que Vergara não pode ter sido o primeiro. Ele acredita que as primeiras tuambadoras com esse sistema foram criadas na cidade de Santiago de Cuba (Vergara havia localizado em Havana)(****)

Ortiz não prosseguir esta questão por muito tempo, mas seu trabalho mostrou um conjunto de tambores batá creolizados que usavam o sistema de afinação referido anteriormente desde antes de 1915. Portanto, não é difícil de imaginar que tumbadoras têm o mesmo tipo de equipamento sendo aplicado a elas desde muito antes dos anos 50. O que é certo, porém, é que este desenvolvimento alterou significativamente a gama de alturas disponíveis para estes tambores, permitindo tons muito mais elevado do que anteriormente foi previsto.



Curiosamente, fabricantes de tambor nos Estados Unidos têm utilizado novas tecnologias para construir tumbadoras. O primeiro exemplo foi a criação de tambores feitos de fibra de vidro. De acordo com a contabilidade verossímil, a primeira pessoa a fazer uma tumbadora de fibra foi Sal Guerrero, um líder de banda e que consertava ele mesmo suas coisas, que vivia em San Francisco (*****). Guerrero, de acordo com a herança mexicana, criou os tambores para utilização em sua banda, não apenas tornando as conchas desses tambores mais fortes, mas também fazendo com que elas se tornassem hábeis para projetar o som como o volume de uma big band. Pensa-se que Armando Peraza foi o assessor para este processo e o primeiro a tocar esses tambores, que foram criados em 1949. [Foto: Desenho de tambores bembé por Fernando Ortiz. Sucesores de Fernando Ortiz].

Outro inovador, que por vezes é também creditado por ter feito a primeira tumbadora de fibra de vidro (normalmente usada por percussionistas da costa leste) é Frank Mesa. Mesa criou uma linha popular de tambores chamado Eco-tom. A partir do início da década de 1950, e cada vez mais popular na década seguinte, os Eco-tons foram aprovados por muitos astros, incluindo Candido, Miguelito Valdés, e os percussionistas de Jimi Hendrix. Os Eco-tons e outras marcas, tais como Gon Bops e Valje, foram bem estabelecidas durante a década de 1950 e início da de 1960, mas as realidades políticas e de negócios estavam começando a mudar.

Quando a revolução Cuba de 1959 acabou conduziu o país a um embargo estadunidense, o mercado mudou dramaticamente para os fabricantes de tambor. A popularidade das tumbadoras estava crescendo enquanto a oferta dos tambores de Cuba suspendeu completamente. Este parece ser uma desenvolvimento positivo para as empresas norte-americansas acima mencionados, mas o aumento da procura não pôde ser realizado através de seus métodos de produção.

Martin Cohen, fundador da Latin Percussion, Inc. (LP) começou a atender esta demanda. Citando o embargo a Cuba como uma das condições principais para o sucesso do seu negócio, Cohen foi o primeiro fabricante de tambor a fornecer uma leva de produção de tumbadoras ainda relativamente confiáveis. Esta forte concorrência foi o início do fim para empresas menores, mas o aumento da oferta e preços mais baixos permitiu que novos mercados fossem formados (por exemplo, as bandas escolares).

Remo dirigiu a natureza temperamental das peles animais em 1995. A primeira tentativa da empresa em uma tumbadora de cabeça sintética foi um evento significativo, embora ainda não seja apreciado por todos os tocadores. Certamente por ser um instrumento tão mergulhado na tradição, os avanços tecnológicos não são sempre recebidos amavelmente. Muitas pessoas pensavam que a cabeça sintética da Mondo ficou fadada ao fracasso uma vez que não soava exatamente como uma verdadeira pele. No entanto, a liberdade dos elementos foi uma sedutora vantagem para muitos tocadores.

As cabeças não falharam. Em vez disso, foram melhorados e aprovadas por outros fabricantes, incluindo a Evans. Hoje o som sintético das cabeças sintéticas é drasticamente melhor do que o dos primeiros modelos, e sua aceitação parece estar crescendo.




(*)Reproduzido do livro / CD a partir de Afrocuban Música de Salsa pelo Dr. Olavo Alén Rodriguez. Piranha Records, BCD-PIR1258, 1998.
(**) http://www.patato.com
(***) A entrevista com Luis Ernesto no SalsaWeb (http://www.salsaweb.com/music/Artigo/peraza_cm.htm), dá o nome como Valgaras. Através de outras fontes, incluindo minhas próprias entrevistas com Candido, tenho aprendido que o nome foi provavelmente transcrito incorretamente e deveria ser soletrada Vergaras ou Vergara, considerando que era dois irmãos.
(***) Candido mencionou isto durante uma entrevista pelo telefone em 23 de dezembro de 2003.
(*****)Armando Peraza. John Santos, e-mail para o autor, 12 de abril de 2003.

A história da conga - Parte II

Texto de Nolan Warder
Tradução de Juliana Bastos

Tamanhos

Para complicar ainda mais, o termo genérico tumbadora pode ser abandonado em favor de uma denominação mais específica com base no tamanho ou na aplicação de um conjunto. Por exemplo, tumbadoras utilizadas na rumba podem ser referidas especificamente como salidor e tres golpes, dependendo da parte em que são tocadas. Isto é, em algo, semelhante à maneira como o snare drum pode significar muitas e diferentes coisas dependendo de seu tamanho e aplicação (por exemplo: caixa de concerto, caixa piccolo, field drum, etc.).

As palavras quinto, conga e tumbadora são agora usados como um consenso entre percussionistas e vendedores para indicar tamanho. Quinto, o menor tambor, tradicionalmente se refere à linha mestra na rumba. Conga refere-se aos tambores médios, e tumbadora see refere ao maior tambor. Alguns fabricantes já produzem requintos (extra-pequenos) e/ou supertumbas (maiores). Não se deve inferir, no entanto, que tambores com esses nomes nunca foram usados juntos num conjunto tradicional.


Pronúncia

Outra coisa a considerar é a pronúncia dessas palavras. Se você escolhe dizer conga ou tumbadora, é melhor se pronunciar corretamente! A maior parte das pessoas que falam inglês pronuncia conga como "Cahnga", mas é mais correto pronunciar com o som espanhol da vogal “o” (CONE-gah). Pronúncias, como a "Koonga" ou "kuhnga" acontecem em certos círculos de percussão, mas estes não são baseados numa pronúncia tradicional. Elas são provavelmente apenas tentativas de fazer a palavra soar mais exótica.
Tumbadora é também melhor pronunciada com um sotaque espanhol e um acento no "o" (tumb - como a tumba da múmia; a - um longo "a"; dora - como o nome Dora, mas com um ligeiro ‘amassar’ do "r").
Então, agora que estamos começando a falar a mesma língua, vamos analisar de onde esses tambores vieram.


Origens

A tumbadora é, verdadeiramente, um instrumento híbrido, o resultado de muitas influências africanas e cubanas. Embora muitos fontes falem apenas sobre a origem Bantu (aka Congolesa) das tumbadoras, o que observamos é a simplificação de um fenômeno mais complexo. Para obtermos um melhor ponto de vista, devemos considerar alguns eventos culturais e históricos precursores.



Após a abolição da escravidão em Cuba em 1886, um grande número de negros começou a migrar das plantações e regiões metropolitanas para áreas urbanas, especialmente para as áreas em torno de Havana e Matanzas. Empregos eram escassos, porém, com um enorme influxo de trabalhadores. Faltando meios financeiros, eles passaram a viver na periferia da cidade e se agruparam noque ficou conhecido como solares (favelas)(*). Isto tornou-se o pano de fundo essencial para o desenvolvimento das tumbadoras e de uma música percussiva conhecida como rumba. E, uma vez que a maioria dos cubanos escravos eram provenientes de países de língua Bantu da área conhecida como o Congo, era natural que suas culturas permeassem os solares de Cuba. [Foto: A área historicamente conhecida como Congo]

Algumas fontes falam de tambores de Ngoma Bantu como sendo os antepassados culturais dos tumbadoras. No entanto, isto não é preciso. Primeiro, temos de considerar que a área historicamente chamada de "o Congo" não é apenas um país ou grupo de pessoas. Na verdade, historicamente, ela se refere a uma grande área do centro de África que inclui muitas línguas e grupos étnicos derivadas do Bantu. Portanto, quando os escravos cubanos originários de diferentes áreas do Congo disseram ngoma, eles poderiam estar falando de tambores completamente diferentes.

Ainda hoje, a palavra ngoma na África refere-se a vários tipos de tambores. Quando os escravos do Congo chegaram em Cuba, eles provavelmente descobriram que ngoma era uma palavra comum entre os seus muitos dialetos, embora não necessariamente fizessem referência aos mesmos tambores. Ortiz afirmou que, "Em Cuba, de um modo geral, todos os tambores da linhagem do Congo são reconhecidos com o termo bantu genérico ngoma.". Então, se ngoma não é um termo preciso para os tambores Bantu que influenciaram as tumbadoras, o que ele é?

Os tambores específicos associados com o povo banto em Cuba são os Makuta (mah-kú-tah) e o Yuka (yúcah). Para agora, ambos ainda são ocasionalmente chamados de ngoma. Conjuntos Makuta são encontrados em cerimônias religiosas, enquanto os tambores Yuka são seculares. Esta é uma ponto importante, pois significa que os tambores Makuta podem ter sido reservados apenas para uso em cerimônias fechadas e secretas, enquanto os tambores Yuka podiam ser ouvidos e usados por qualquer um nos solares. Apesar de a percussão Yuka ter influenciado grandemente a rumba, é interessante considerar que os tambores Makuta (especialmente os maiores, aqueles de baixa frequência) têm uma maior semelhança física com as tumbadoras.


(*) Olavo Alén Rodriguez, "Uma História do Congas, "The Cookbook Conga. Nova Iorque: Cherry Lane Music, 2002. Artigo disponível on-line: http://www.chucksilverman.com/congahistory.html.

A história da conga - Parte I

Oi, pessoal. Durante as próximas quatro semanas, estaremos contando, por capítulos, a história da conga, totalizando cinco partes.



A História da Conga
Por Nolan Warden

Tradução de Juliana Bastos


Apesar de sua ampla utilização, a conga pode ser um dos os mais incompreendidos instrumentos de percussão. Ele é frequentemente associado e definido como um "acessório", não merecedor de séria consideração. Mesmo que a década passada tenha trazido um interesse crescente na percussão do mundo, informações sobre a história das congas permanecem difíceis de encontrar. Antes de nos aprofundarmos nessa história, porém, devemos considerar alguns fundamentos. Além disso, não temos nem chamado esse tambor pelo seu nome correto ainda![Foto: © CIDMUC, Havana. Retirado do livro/CD intitulado From Afrocuban Music to Salsa por Dr. Olavo Alén Rodriguez (PIRANHA Records, BCD-POIR1258, 1998)]


O Básico

Nos Estados Unidos, nós ouvimos essas tambores referidos como conga-tambores ou simplesmente congas. No entanto, em Cuba, onde esses tambores foram desenvolvidos, a palavra conga é geralmente aplicada a apenas um tambor e ritmo tocado durante o Carnaval (semelhante ao carnaval brasileiro ou Mardi Gras estadunidense). Uma expressão mais exata, utilizada em um consenso tradicional e pela maioria dos hispanos, é tumbadora. Este termo não é tradicionalmente aplicado aos tambores tocados no Carnaval, mas para aqueles tocados em grande parte de músicas comerciais e tradicionais da música cubana. Como estes nomes historicamente vieram a ser confundidos (e essencialmente intermutáveis) é uma pergunta difícil. Infelizmente, uma vez que esta confusão começou no início do século XX, e considerando que estudos acadêmicos de música afro-cubana só foram aparecer cerca de 30 anos depois, é difícil falar com autoridade sobre a história dessas duas palavras. Apresentar todas as hipóteses tornaria esta leitura entediante. Para informações sobre o assunto, fiz referência às obras de Fernando Ortiz e Olavo Alén Rodríguez. No entanto, vou apresentar uma versão simplificada dessa questão.

Na primeira metade do séc. XX, quando as pessoas provenientes dos Estados Unidos ainda podiam viajar livremente para Cuba, ritmos cubanos foram apanhados e popularizado pela mídia estadunidense. Isto concedeu a muitas culturas pop estadunidenses explosões de estilos "latinos", uma das quais foi la conga. Ainda hoje, não é difícil encontrar em reuniões públicas em todo o país norte-americano uma versão diluída do ritmo la conga. Você pode até ter participado de uma "linha de conga" no último casamento ao qual você foi!
Uma versão genérica de la conga.

Esta e outras culturas pop erroneamente fizeram com que a palavra conga passasse a ser utilizada para referir-se a todos os tambores cubanos de construção semelhante. A palavra tumbadora, que é considerada mais exata entre os cubanos e aficcionados, vem do estilo folclórico chamado rumba (que não deve ser confundida com o baile rhumba). Uma vez que é rumba é considerada a responsável pelo desenvolvimento musical desses tambores, a palavra tumbadora é usada para referir a o que é oposto a conga, que é um termo mais comercial. Hoje, não é realmente necessário aos percussionistas chamar esses tambores de tumbadoras. No entanto, uma vez que eles são predominantemente chamados de tumbadoras pela cultura que os criou, este artigo irá referir-se a eles como tal.

É também difícil apontar um significado exato para qualquer uma dessas palavras, mas ambas são geralmente aceitas como sendo de proveniência Bantu. Os mais conhecidos estudiosos de música afro-cubana, Dr. Fernando Ortiz (1881-1969)(*), considerou a palavra bantu nkónga, o que significa "umbigo" ou "umbilical", como uma possível raíz da palavra conga. Isto parece plausível considerando a natureza das danças para o ritmo la conga, que atravessam as ruas durante o Carnaval.

Outros defendem que conga é simplesmente uma feminização linguística da palavra Congo, referindo-se à origem geográfica dos tambores. Como para tumbadora, uma simples explanação espanhola é a de que é um tambor “que tumba”. Coloquialmente, isso significa o tambor que tomba. No entanto, a palavra tumba também é encontrada em línguas Bantu. Dependendo do dialeto na África, a palavra pode fazer menção a um tipo de tambor, dança, ou cerimônia de iniciação. Também pode se referir a uma festa, uma herbolário, ou, simplesmente, ser uma onomatopéia (**). Todas estas explicações são possíveis mas, uma vez que tais teorias são em grande parte baseadas em conjecturas, é impossível dizer com certeza.

(*) Esboços por Fernando Ortiz utilizada neste artigo provêm de Los Instrumentos de la Música afro-cubana. Eles são usados com permissão de sua filha, María Fernanda Ortiz, representante do Sucessores de Fernando Ortiz.

(**) Fernando Ortiz, Los Instrumentos de la Música Afrocubana. Havana: Publicaciones de la Dirección de Cultura del Ministerio de Educación, 1952.

Programa do Recital de Almir César Mangueira



Almir César
Nascido em 04 de abril de 1986, começou a ter contato com a música desde criança na igreja, estudando nessa mesma época matérias teóricas na EMAN (Escola de Música Antenor Navarro). Na adolescência começou a se profissionalizar e a tocar em bandas de baile. Em 2006 ingressa no Curso de Bacharelado em Música com habilitação em percussão com o professor Francisco Xavier, sendo orientado posteriormente pela professora Wênia Xavier. Participou de apresentações com grupos de câmara como a Orquestra de Violões da Paraíba em Campina Grande e Grupo de Percussão no Encontro Regional da ABEM -2008. Foi convidado para tocar na Banda “Perfil” e na Banda “Os Tuareg's”, fazendo shows com esta última pelo nordeste. Ainda com esta banda, participou da gravação de dois DVDs, o 1º em janeiro de 2007 e o 2º em dezembro de 2007. Em 2008, Forma com os músicos Flamarion Felix e Daniel Pina Banda “Plataforma Zero”, fazendo shows em casas noturnas de João Pessoa. Participou como free lancer das gravações do DVD do cantor Alberto River (ex-mastruz com leite), do DVD do Forró Caçuá (com participação de Pinto do acordeon) e do DVD de Amandi Cortez, "ex-participante do programa ídolos da rede Record", com a participação especial do cantor Chico César, Escurinho e Alex Madureira. Atualmente atua como free lancer com Amandi Cortez, Área Cinco 1 e Insight (banda participante do último Rock in Rio).
PROGRAMA
Just for the funk of it (Murray Houllif)
Teardrops (Mitchell Peters)
Rhythm Serenade (Robert Russel)
Message to a friend (Ney Rosauro)
Participação: Gustavo Miranda
The connecticut halftime (Tradicional)
Participação: Marcelo Lucena
Sonata for three timpani (Philip Ramey)
Three pieces for three mallets (Mitchell Peters)
Suíte for solo drum set and percussion ensemble (Dave Mancini)
Participações: João Medeiros, João Victor , Juliana Bastos, Lucas Freire, Mickael Moura, Pedro Freire, Ramon Formiga.
Regência: Profª Wênia Xavier
Bateria solo: Almir Mangueira