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CD Configurações para Percussão Contemporânea do GRUPU


Artista: Grupo de Percussão da UNICAMP (GRUPU)
CD: Configurações para percussão contemporânea
Música instrumental
Ano: 2006
Gravadora: Tratore
Valor de mercado: R$ 22,00
Direção: Fernando Hashimoto
Integrantes: César Traldi, Chico Santana, Cléber Campos, Daniela Cervetto, Dantas Rampim, Fernanda Vieira, Humberto Ramos, Leandro Barsalini, Leandro Neves, Lucas da Rosa, Luís André "Gigante", Marcos Rocha, Pedro Prado, Rafael Pereira, Ronaldo Prascidelli.

Configurações é um mural da percussão contemporânea que retrata o uso de instrumentos variados e multifacetados, diferentes paletas timbrísticas, especialização sonora e sua plasticidade, recursos eletroacústicos, interação entre os músicos sincronismos, defasagens, simultaniedades, paralelismos, interações, improvisação e indeterminação. São encontros diversos. apresentados em sete composições que integram e revelam ao ouvinte um ou mais desses aspectos. Mais do que alocar recursos e estruturas musicais em obras originais, o projeto constrói vizinhanças e proximidades sonoras: geografias que, por pertencerem a territórios semelhantes - em alguns aspectos - e muito diversos - em outro, passam a interagir entre si. Criam-se relações inusitadas: novos modelos de escuta numa gama de relevos diferentes, numa paisagem variada e vida.

Músicas:

1. Ixóras (Jônatas Manzolli, 2006)
2. Treliças II (Jônatas Manzolli, 2005)
3. Abertura (Fernando Hashimoto, 2003)
4. Timbaúba (Raul do Valle, 2004)
5. Quarteto nº 1 (Fernando Hashimoto, 2005)
6. Imagens (Raul do Valle, 1990)
7. Farpas e Espinhos (Fernando Hashimoto, 2005)

Tambaleio apresenta show e workshop

O Grupo de percussão popular Tambaleio, criado no Instituto de Artes da Unicamp e dirigido por Chico Santana, apresenta seu novo repertório, calcado na fusão e diálogo de linguagens brasileiras e africanas, com participações especiais de dança. A apresentação será no Centro Cultural Casarão de Barão às 15h. O Workshop prático de ritmos afro-brasileiros é recomendado para qualquer nível e idade.


Serviço:
Grupo de Percussão Tambaleio
Local: Centro Cultural Casarão de Barão.
Endereço: Rua: Manoel Becker, s/n - Barão Geraldo.

Workshop: 15h
Show: 19h
Entrada: Gratuita

Fonte: da Ascom

Grupo de Percussão Tambaleio (SP)



O Tambaleio desenvolve uma linguagem musical baseada na sonoridade de diversos instrumentos de percussão. Através da fusão de linguagens e timbres variados o grupos cria uma musicalidade singular, calcada em ritmos brasileiros, africanos e latinos.

Composições próprias são a base do repertório, interpretado apenas com instrumentos de percussão. Pratos sinfônicos e caixa clara se unem a alfaias, djembês e pandeiros, refletindo a versatilidade e riqueza timbrística do Tambaleio. Reco-reco, triângulo, congas, berimbaus, gonguê, xequerê, surdos, repiniques, dununs e agogô de 4 bocas, são alguns dos instrumentos que compõem a sonoridade do grupo.

O espetáculo desenvolve um diálogo entre a percussão e o movimento corporal, através da dança e interpretação de textos que permeiam a execução musical, criando novas relações com o público.

O Tambaleio surgiu em 2002 no Laboratório de Percussão do Instituto de Artes da Unicamp, através da união de percussionistas do Departamento de Música da Universidade Estadual de Campinas interessados em pesquisar e tocar percussão popular. À influência erudita somaram-se características de linguagens populares, como o balanço dos ritmos brasileiros e a improvisação. Atualmente o grupo é formado por alunos e ex-alunos de percussão e bateria do Instituto de Artes sob direção musical de Chico Santana. O grupo conta ainda com direção cênica de Alexandre Caetano (Boa Cia) e participação da bailarina Letícia Rodrigues.


O Tambaleio já se apresentou no Auditório do Instituto de Artes da Unicamp, Espaço Cultural CPFL, Conservatório Souza Lima (São Paulo), Escola do Sítio, Centro de Convenções da Unicamp, Útero de Vênus, Centro de Convivência Cultural de Campinas, entre outros, e já participou de festivais como o FEIA (Festival do Instituto de Artes), Dia da Percussão PAS (Percussive Arts Society) e Ritmos da Terra 2008.


Integrantes: Alexandre Caetano, Chico Santana, Fábio Augustinis, Humberto Ramos, Letícia Rodrigues, Lucas Moreira, Marcos Rocha, Paulo Salmaci, Raul Rodrigues e Vitor Zago.

A batucada da Nenê de Vila Matilde - Parte 3

Toque de caixa

A transcrição das estruturas rítmicas da bateria da Nenê foi um aspecto do trabalho que exigiu atenção especial devido a complexidade de representar, de forma plena e compreensível, o fazer musical de um grupo composto por mais de duzentas pessoas e por causa das restrições do uso da simbologia rítmico-musical clássica ocidental na descrição sonora de uma bateria.

Desse modo, embora a considerasse insuficiente para a descrição gráfica plena da música produzida pelo grupo, Francisco adotou a notação clássica das partituras musicais para representar visualmente os esquemas rítmicos da bateria, por entendê-la como um código universal. Conseguiu, com isso, representar o esqueleto básico das estruturas, tornando-as compreensíveis. Porém teve o cuidado de complementá-las com descrições textuais a fim de aproximar a grafia musical da realidade sonora da bateria.
Foram considerados ainda elementos inerentes ao universo carnavalesco, como os conceitos básicos de sustentação (o andamento rítmico, que não deve nem diminuir nem acelerar durante o desfile) e entrosamento (a perfeita combinação de sons emitidos pelos vários instrumentos), entre outros, apresentados no quesito bateria, do regulamento do concurso entre escolas de samba.
Segundo ele, a batucada, isto é, o ritmo desenvolvido pelos naipes pesados (surdos, caixas e repiniques) é o ponto forte e uma espécie de identidade musical da bateria da Nenê. A forma como são tocadas as caixas e surdos de terceira configura uma das principais qualidades distintivas do conjunto.
“A batida de caixa matildense é única, nenhuma outra escola de São Paulo ou Rio de Janeiro utiliza o mesmo padrão. O surdo de terceira sendo tocado de forma livre, ou seja, com liberdade para o ritmista variar e brincar com o ritmo, também é singular, e da relação que se estabelece entra caixa e surdo de terceira se cria uma das características mais marcantes do ritmo da Nenê”, explica o pesquisador. “A batida da caixa dialoga diretamente com a batida do surdo de terceira, criando um ‘balanço’ característico.”
Outros diferenciais constatados pelo estudo foram a sonoridade grave (a afinação é mais grave que a da maioria das baterias de São Paulo, aspecto que se evidencia principalmente pelos surdos e caixas), o andamento cadenciado (em comparação com outras baterias paulistanas a da Nenê apresenta um andamento mais cadenciado, isto é, mais lento) e a flexibilidade na execução musical (os ritmistas têm grande liberdade na execução de seus instrumentos, com liberdade para floreios e interações pontuais entre eles). Essa maleabilidade, destaca o professor, colabora para uma polirritmia complexa através de diversas variações rítmicas interpretadas principalmente nos surdos, caixas e repiniques.
“A Nenê de Vila Matilde representou uma verdadeira escola de ritmo de samba para o carnaval de São Paulo. Desde sua fundação foi um celeiro de grandes mestres de bateria, que levaram a experiência matildense para outras agremiações, transformando o ritmo da Nenê em referência nos desfiles paulistanos”, enaltece Francisco.
Conforme apurou, o ritmo da escola atravessou distintas fases da festa popular sem deixar de ser considerado um dos melhores até os dias de hoje e, mesmo com muitas transformações sofridas ao longo dos sessenta carnavais dos quais a Nenê participou, manteve características próprias. Não é à toa que a bateria ostenta orgulhosamente o feito de ser, até hoje, a única a ter permanecido por 26 anos consecutivos tirando apenas notas 10.
Por Chico Santanna

A batucada da Nenê de Vila Matilde - Parte 2



Hostilidade

A aproximação com a Nenê deu-se em 2005 quando Guilherme Lucrécio, integrante da Alcalina e neto do “Dr. Lucrécio”, um dos históricos fundadores da escola, levou o grupo para conhecer a agremiação. Convidados a participar da bateria, passaram a frequentar os ensaios tocando caixa e vivenciaram um período inicial que Francisco classifica como de hostilidade, principalmente por parte dos ritmistas mais jovens.

“Numa comunidade bastante fechada, marcada pela negritude, um elemento de fora e branco, destoava do conjunto da bateria matildense. Guilherme foi menos hostilizado, já que possuia ligações familiares com a escola e é negro”, conta Francisco. Apesar do ambiente inicialmente desfavorável, permaneceu no grupo e participou dos desfiles até 2009, período em que pode aprender diversos aspectos rítmico-musicais da bateria da Nenê.
“A constância nos ensaios fazia com que eu memorizasse e incorporasse nuances rítmicas do grupo”, relata Francisco. Em 2008, teve a oportunidade de atuar como diretor de bateria de outra escola paulistana, a Acadêmicos do Tucuruvi, sem deixar o posto de ritmista da Nenê, o que exigiu do pesquisador muito fôlego e jogo de cintura, já que ambas desfilaram na mesma noite.
“Eu saí da dispersão (fim da avenida do desfile) como diretor da Tucuruvi e voltei à concentração (início da avenida) para desfilar como ritmista pela Nenê, sem ninguém saber”, confidencia o professor de percussão e rítmica.
A experiência, afirma, foi extremamente importante para a pesquisa, principalmente pela expansão de horizontes dentro do universo das escolas e para criar parâmetros de comparação do ritmo matildense com o de outras baterias de São Paulo e até do Rio de Janeiro, já que ele também foi observar de perto baterias de agremiações fluminenses e constatou que as principais influências para a Nenê foram as da Mangueira e Portela.
“O pai de ‘Seu’ Nenê era carioca e ele tinha parentes no Rio. Isso lhe possibilitou vivenciar ensaios e rodas de samba nas principais escolas cariocas”, observa Francisco.
É a partir do contato com a realidade carnavalesca do Rio de Janeiro que a bateria matildense passa a desenvolver um estilo mais próximo da maneira carioca de tocar, assimilando no fim da década de 1950 as inovações rítmicas trazidas do Rio de Janeiro pelo dirigente. Até então, explica o músico em sua pesquisa, o ritmo apresentado nos desfiles paulistanos era o da marcha-sambada dos tradicionais cordões carnavalescos, caracterizada pelo uso de instrumentos de sopro e embasado no samba de bumbo do interior do Estado, cuja sonoridade da instrumentação é bastante diferente.

“Com a oficialização do carnaval de São Paulo e a adoção de um regulamento baseado no carnaval do Rio de Janeiro, o modelo carioca de escola seria imposto a todas as agremiações paulistanas. A bateria matildense sai na frente das demais e, com a vantagem de ter seu ritmo já calcado no estilo carioca, leva a Nenê à conquista de três carnavais consecutivos, em 1968, 1969 e 1970”, historia o professor.
Por Chico Santanna

A batucada da Nenê de Vila Matilde - Parte 1



A bateria de uma escola de samba é o agrupamento responsável pelo desenvolvimento ritmo-musical da agremiação carnavalesca. Até certo ponto, contribui para a definição da identidade da escola, impulsionando o desfile através do toque de padrões rítmicos executados por dezenas de instrumentos de percussão (cuíca, tamborim, pandeiro, caixa, surdo, agogô, entre outros), agregados em diferentes naipes. Deve estar entrosada com a ala musical, composta pelos puxadores (intérpretes) e instrumentos melódico-harmônicos (violão e cavaquinho). Como uma potente usina sonora, toca ininterruptamente durante todo o desfile e responde pela pulsação que permite a evolução dos componentes e alegorias da escola pela avenida. Nas principais escolas chegam a apresentar mais de 300 integrantes, chamados de ritmistas, portanto, se constitui também num espaço privilegiado de interação e socialização dos seus integrantes.

O músico Francisco Mestrinel mergulhou nesse singular universo para compor a dissertação A batucada da Nenê de Vila Matilde: formação e transformação de uma bateria de escola de samba paulistana. Orientado pelo professor José Roberto Zan, o trabalho apresenta um extenso painel da agremiação por meio do estudo de sua história e da análise da musicalidade de sua bateria, considerada uma das mais proficientes do carnaval da cidade de São Paulo.

Para estabelecer conexões entre aspectos musicais da bateria e elementos de cunho antropológico, histórico e social coletados ao longo da pesquisa, Francisco adotou ferramentas da etnomusicologia (área científica que pesquisa a música em suas acepções mais amplas, relacionando suas estruturas musicais a seu contexto humano e social).
O material analisado foi colhido em campo, a partir da vivência prática da rotina da bateria da escola: utilizando conhecimento e habilidade musicais de percussionista, o autor, que é formado em música popular pelo IA, tocou no agrupamento e assimilou, em exaustivos ensaios e em desfiles, as estruturas rítmicas musicais da bateria e os diversos aspectos sonoros relevantes ao estudo. Também fez registros digitais de áudio.
Quanto aos elementos sociais e históricos, buscou informações em conversas informais com personagens da bateria e de outros setores da escola, e realizou entrevistas gravadas. As anotações de campo mostraram-se de grande valia na comparação com registros bibliográficos de livros, revistas e jornais. Muitos desses documentos foram obtidos com a professora Olga von Simson, do Centro de Memória da Unicamp (CMU), autora de vasta pesquisa sobre o carnaval paulista.
“A bibliografia existente sobre carnaval, samba, escolas de samba e samba paulista é ampla. No entanto, nota-se a falta de informações sobre aspectos musicais das baterias, mesmo estas sendo apontadas como o ‘coração’ das escolas de samba por muitos autores”, argumenta Francisco.
A motivação da pesquisa veio do envolvimento do autor na adolescência com o carnaval e com baterias de blocos carnavalescos e de escola de samba, aspecto que, segundo ele, também foi decisivo para sua formação como percussionista. Mais tarde, já na Unicamp, passou a tocar em baterias universitárias mantidas pelas atléticas e, junto com outros alunos do IA, criou a Bateria Alcalina.