Marcadores

Mostrando postagens com marcador Ilê Ayê. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ilê Ayê. Mostrar todas as postagens

Grupo de Percussão Ilê Aiyê homenageia Minas Gerais como símbolo da resistência

Um dos grupos afro mais famosos do Brasil, o Ilê leva para o Curuzu referências a personagens mineiras, de Xica da Silva a Milton Nascimento

“Quem é que sobe a ladeira do Curuzu? – Sou eu, sou eu. E a coisa mais linda de se ver? – É o Ilê Aiyê”.

Difícil achar quem nunca tenha ouvido estes versos do primeiro bloco afro da Bahia, o Ilê Aiyê, na voz de artistas famosos. O grupo, fundado em 1974, é reconhecido como grande representante da cultura afro no estado baiano. Este ano, o Ilê Aiyê fará uma homenagem aos mineiros com o tema: “Minas Gerais, símbolo de resistência”. Desta vez, as letras das canções trarão Xica da Silva, Milton Nascimento, Chico Reis, Aleijadinho e outras importantes figuras das Gerais para a boca dos foliões.

Ilê Aiyê, que significa “mundo negro”, é soteropolitano e surgiu num dos bairros da capital, o Liberdade, que tem a maior população negra do país. Antonio Carlos dos Santos, conhecido por Vovô desde criança, fundou o bloco com o amigo, já falecido, Apolônio Souza de Jesus Filho. O apelido surgiu quando, num dia chuvoso, foi com o paletó para a escola. Os colegas notaram a vestimenta muito grande e disseram que ele parecia mais velho: virou Vovô já aos 9 anos. “Criamos o bloco para combater o racismo no carnaval da Bahia. Nos grandes clubes só havia gente branca.

No primeiro carnaval em que desfilamos, em 1975, saíram 100 pessoas. Hoje contamos com 3 mil integrantes”, relata Vovô.

Desde que surgiu, o Ilê Aiyê sempre homenageia países, nações, culturas africanas e as revoltas negras no Brasil, que contribuíram para o fortalecimento da identidade étnica e da autoestima do negro brasileiro. No ano passado, Pernambuco foi o destaque do bloco. Angola, Revolta dos Búzios (Revolta dos Alfaiates) e a Bahia já tiveram a sua vez.

Para levar Minas Gerais para as ruas de Salvador, a organização enviou um grupo até o estado a fim de pesquisar nossa riqueza afro. Vovô conta que eles “começaram um namoro” com Milton Nascimento e também com o cantor Vander Lee para se apresentarem no carnaval baiano. Infelizmente, as vozes mineiras não vão completar a homenagem ao estado no carnaval do Ilê Aiyê. Ficou, então, para a cantora Margareth Menezes essa tarefa.

“Do nosso Festival de Música selecionamos duas canções, entre 100 inscrições, divididas em tema e poesia para representar o carnaval do ano. Além disso, escolhemos a Deusa do Ébano, dentre 60 candidatas. A vencedora recebe um prêmio de R$ 2 mil”, explica o fundador do grupo. No total, o carnaval do tradicional bloco custa cerca de R$ 1,1 milhão e o pré-carnaval aproximadamente R$ 400 mil. Segundo Vovô, todo o dinheiro é arrecadado através por meio de leis de incentivo, patrocínio de empresas e o pagamento de carnê dos 3 mil membros fiéis, até este mês. O carnê custa R$ 450, dividido de nove vezes.

Cidadania
O Ilê Aiyê, não se restringe a promover a alegria na comunidade, a cidadania é uma preocupação constante do grupo. Em sua sede, são realizados diversos projetos sociais, que atendem cerca de 1,2 mil pessoas: escola de alfabetização, de canto, dança e profissionalização. Além do programa de rádio Tambores da Liberdade, que tem por objetivo divulgar a música e cultura afro-brasileira