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Tambor de Crioula em Fortaleza - Ceará

No Ceará existem, até o momento, dois grupos de Tambor de Crioula. O Tambor das Marias, surgido no Café Teatro das Marias na escola de percussão da Caravana Cultural – que foi até o Maranhão para ganhar a bênção de seu grande mestre Felipe de Sibá – e, agora, o Tambor de Crioula Filhos do Sol, que também foi batizado no Café Teatro das Marias.

No último domingo, dia 23 de janeiro, a brincadeira do Tambor de Crioula aconteceu no Café Teatro das Marias (localizado à rua Senador Almino, 233A – Praia de Iracema - Fortaleza) com o Tambor de Crioula Filhos do Sol, organizado por alguns amantes da arte de bater tambor.

Tambor de Crioula é uma manifestação artístico-cultural-religiosa do Maranhão. Na brincadeira, existem três tambores, comumente chamados de Tambor Grande (o maior de todos), o Meião (que faz a marcação) e o Crivador (o menor tambor, que responde ao meião e tem um som mais agudo que os outros tambores). Os três juntos formam uma Parêa de Tambor.

Como bem dizia o mestre Felipe de Sibá, grande mestre de Tambor de Crioula do Maranhão, “o tambor é afinado a fogo, tocado a murro e dançado a coice”! E, realmente, sem essa combinação não há tambor de crioula. Primeiro é importante dizer que os tambores são realmente afinados a fogo, sendo que os tocadores têm que sempre manter uma fogueira quentinha perto do local da apresentação para que, de instante em instante, os instrumentos sejam levados até lá, para daí serem afinados novamente.

Durante a brincadeira, os ‘tambozêros’ cantam versos criados na hora, ou mesmo que já fazem parte do repertório. Existem vários tipos de versos, desde os que louvam aos santos, até os que incitam a briga entre os cantadores e tambozêros. Mas calma! A briga é só de brincadeira. Ela surge mais como uma forma de tornar a apresentação ainda mais criativa em versos.

Outro dado bem interessante é que no Maranhão, de primeiro, apenas os homens podiam tocar e dançar. Com o tempo, as mulheres começaram a se apropriar da dança. E hoje, as meninas também estão conquistando o direito de tocar. Em Fortaleza, não há tambor de crioula em que as mulheres não toquem, dancem e versem.

Para dançar, as mulheres colocam suas saias grandes e coloridas. No Tambor de Crioula elas são chamadas de coreiras. Durante a brincadeira, as coreiras rodam, rodam, roooodaammm… Ufa! E dão aquela umbigada umas nas outras! Mas antes desse passo, elas têm que passar pelo tambor grande e fazer a devida reverência ao santo padrinho do Tambor de Crioula, o querido São Benedito.

Eita que é coisa!! Mas calma que você vai poder ver essa brincadeira de pertinho!
Mas mulheres, lembrem-se: levem suas saias!! ‘Ê tamboooooooooor…’

Por Amanda Nogueira
Agenda famalia

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